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A primarização do transporte aliados a cultura Lean Manufacturing, contribuem para flexibilidade da logística dentro do cenário da crise atual.

por Paulo Adriano da Silva Carvalho publicado 11/07/2018 16h40, última modificação 11/07/2018 16h42

Autores: 

Adm. Gilvam Vieira da Silva
Registrado no Conselho   Regional de Administração de João Pessoa - Paraíba (CRA –PB) sob o número 1- 5243 - Especialista em Metodologia do Ensino Superior.  + de 20 anos de experiência como Pesquisador acadêmico  em Logística e Supply Chain Management
admgilvan@yahoo.com.br

Leila de Oliveira Duarte
Administradora, MBA em Gerenciamento de Projetos, Especialista Lean Six Sigma, Auditora 5S Lean Office. 3 anos de experiência em melhoria contínua atuando em CSC de empresa de grande porte com foco em gestão e mapeamento de processos, padronização, materiais de treinamentos, auditoria 5S Lean Office. +2 anos de atuação na área de suprimentos como compradora. leiladot@hotmail.com

Gravata

A formula é antiga, mas, ganhou impulso com a crise que afetou a todos. A busca por mapeamentos na identificação de desperdícios e propor melhorias vem ganhando mais espaço independentemente do porte da empresa. A flexibilização da logística é vista como desenvolvimento sustentável perante ao cenário atual. Aliando a primarização do transporte com as ferramentas de qualidade e o Lean Manufacturing podem contribuir para o sucesso da empresa perante ao cenário atual.

Introdução

 Em tempos de crise o objetivo principal é tornar as operações eficientes, reduzir custos, melhorar o nível de serviço. Segundo a reportagem da revista exame (online) publicado em março/17: “A crise econômica exige que as organizações adquiram e desenvolvam novas competências para conquistar e manter clientes. Frente a este cenário, a estruturação logística tornou-se fundamental nas empresas, sendo vista como uma oportunidade de diferenciação e vantagem competitiva”. Assim como na logística militar, a gestão flexível deve estar apta a responder às mudanças do ambiente externo (crise).

Com base nessas informações e no cenário econômico atual, não importa o tamanho da empresa, seja de porte pequeno, médio ou grande, para enfrentar a crise e sair vitoriosa no final vão precisar revisar seu sistema de logística atual. Com bom planejamento, investimento correto, visão holística do negócio e aplicação de conceitos de melhoria (Lean Six Sigma, Lean Manufacturing) pode estar aqui a diferença entre a empresa obter sucesso ou não na sua (re) estruturação logística.

A uma logística resiliente à crise pode-se utilizar-se de alguns recursos como a criatividade e inovação, buscando maneiras não convencionais e nunca antes imaginadas para ultrapassar o atual cenário de crise. Como dizia Albert Einstein, não se pode solucionar um problema no mesmo nível em que ele foi apresentado. Se na física quântica isso vale, o que dizer com relação ao mundo da logística e dos negócios empresariais?

Torna-se extremamente necessário cuidar bem da logística da empresa, justamente pela vantagem competitiva diante do cenário de crise. Levando-se em consideração que a base de tudo é a boa administração e sua essência é a adaptação, certamente quem não se adequar estará comprometendo sua permanência no mercado.

No que tange a flexibilidade e a capacidade de restaurar os níveis de resposta e de operação (resiliência), nos remete a pensarmos e lançarmos projetos de readequação de demanda e certamente ajusta-se no cenário futuro de “pós-recessão”.

1 REDUÇÃO DE CUSTOS UTILIZANDO A PRIMARIZAÇÃO NA LOGISTICA


As novas formas de pensar na atividade de logística diante da atual crise, seja parcerias com distribuidores ou outras empresas para rateio de custos, novas modalidades, enfim, seja com o poder público ou privado. A logística pressupõe flexibilidade, pois existem fatores que mudam e interferem, seja por meio da economia, concorrência, sazonalidades, etc.

A forma tradicional em linhas gerais de trabalhar com a logística é a contratação de frete com várias transportadoras. Já a primarização do transporte de cargas ajuda na redução de custo. Um bom exemplo e case de sucesso é a empresa Bombril, que conseguiu uma economia de R$15 milhões no custo de frete em parceria com empresa Agrega em doze meses. (Fonte: www.revistaempresarios.net).

Ainda segundo o site revista empresários, o diretor de Supply Chain da Bombril, Luis Guilherme Paschoal Andrade fala sobre números expressivos que a primarização trouxe para sua empresa: “Até meados de 2016, nossa contratação de transporte era feita num modelo tradicional de bids e mantínhamos mais de 30 transportadoras. Hoje, com a primarização, destinamos a esta modalidade cerca de 80% do volume de lotação, o que representa a expedição diária de aproximadamente 150 caminhões a partir das fábricas da Bombril, sendo alinhado com apenas uma transportadora e diminuindo a complexidade”.

Com base nesse case de sucesso e outros que podemos encontrar na mídia, vemos que a primarização pode ser tornar tendência a médio e longo prazo e porque não se tornar boas práticas dentro da área de logística? Visto que a adaptação é necessária para a empresa crescer, sobreviver e ter lucro perante ao cenário de grades dificuldades que o país está passando.

Com isso podemos notar que a flexibilização é necessária dentro da cadeia logística. A padronização de processos e a sua integração com uso de sistemas de ERP (Enterprise Resource Planning) contribui na integração das áreas da empresa como um todo. Essa gestão permite ações que atendam prontamente as necessidades do negócio

As atividades de transporte representam mais que movimentar cargas de um ponto a outro. A armazenagem considera todos os elementos (estocagem, movimentação) devem funcionar com agilidade e eficiência. Com isso permite-se agilidade de resposta, maximização do tempo e manter as operações dentro do que foi programado. Para identificar as atividades logísticas e os correspondentes custos mais relevantes na empresa, não basta apenas considerar as mais comuns – será necessário a quantificação/medição de cada uma das atividades (em geral, através de custos e indicadores) e a correspondente classificação das(os) mesmas (os). Tal classificação poderá ser diferente, em função, por exemplo, do valor agregado dos produtos.

2 MELHORIA CONTINUA CONTRIBUI NA PERFORMANCE DA LOGISTICA

Quando ouvimos Lean Manufacturing, o pensamento que vem à mente são processos enxutos, padronização, defeitos ou retrabalhos quase inexistentes. Sim, isso é uma cultura que deve ser disseminada na empresa e trabalhada diariamente. Quando um especialista Lean Six Sigma ou Lean manufacturing é contratado, sua missão é divulgar e incentivar a cultura Lean dentro da empresa. Preparando materiais, lecionando treinamentos, fazendo reuniões, criar comitês de melhorias. Fazer mapeamentos, identificar e eliminar desperdícios dentro do processo. Aplicar ferramentas de qualidade, afim de aumentar a produtividade. Dependendo do core da empresa ver qual o melhor estilo de produção, com relação a demanda, estoque, etc.

Segundo o site da empresa Voitto, cinco praticas são fundamentais serem adotadas na empresa quando pensamos em processos flexíveis e autônomos. “1. Desperdícios devem ser eliminados; 2. Problemas são oportunidades para melhorar; 3. Defeitos não devem avançar para a etapa seguinte; 4. Ambiente diversificado é a chave para soluções eficazes; 5. Cultura colaborativa deve ser estimulada”.

Com esse foco, será entregue um produto de valor agregado para o cliente. A melhoria no processo gera como resulto final a melhora no desempenho, ou seja, na performance da empresa. O que contribuirá para um desenvolvimento sustentável dentro do cenário onde a empresa está inserida.

É necessário oferecer ao cliente a quantidade de produtos solicitada por ele no período e no local exatos, pelo mínimo custo possível — e com o máximo de valor agregado que possa ser percebido por ele. Como os prazos de entrega tendem a ser mais curtos, a logística se norteia pelo serviço ao cliente, e abarcando uma visão sistêmica de todo o processo.

O aumento da competitividade acontece quando se consegue aplicar a flexibilidade logística.  Em níves de serviço, por exemplo, é necessário adotar sistemas operacionais que ajudem na resposta rápida. Nesse ponto é muito importante ter a área de TI (Tecnologia da Informação) estruturada para dar o suporte necessário dentro do prazo acordado.

Acompanhando as tendencias de mercado principalmente quando se fala em tecnologia e indústria 4.0 “são os processos industriais inteligentes”. Podemos citar, inteligencia artificial, Big Data, Internet das Coisas, automatização de processos, tudo isso vem para acelerar o crescimento das empresas. Por isso tem-se a necessidade de flexibilização e adaptações se deseja acompanhar o movimento do mercado deixando assim a crise para trás.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

 Com base no que foi relatado nesse artigo, não podemos afirmar que existe uma receita milagrosa para resolução dos problemas no mundo dos negócios. Mas, como vimos existem ferramentas que podem e devem ser usadas para atingir os objetivos das empresas e suas metas perante ao cenário de crise. Doravante, devemos lembrar do controle do fluxo financeiro da logística e principalmente compreender os conceitos micro e macroeconômicos, para saber onde e como a empresa deve-se posicionar perante tal cenário.

Levando em consideração o Lean manufacturing, primarização e maior flexibilidade dentro dos processos logísticos, as necessidades como prazo de entrega, competividade nos preços, custos de produção, disponibilidade de estoque, serão atendidas com melhor qualidade.

A boa administração aliada a adaptação faz com que as mudanças ocorram levando a empresa a outro patamar a médio e a longo prazo. De tal forma que, a flexibilidade logística poderá fazer a diferença entre o sucesso ou fracasso das empresas. Isto é, quem tiver foco aberto, visão de futuro, visão holística e ousar lançar projetos de readequação de demanda aliando a flexibilidade de se ajustar no cenário aparentemente “pós-recessivo” terá os bônus e ônus da inovação, onde encontrou soluções e oportunidades de redução dos custos logísticos.

REFERÊNCIAS

https://exame.abril.com.br/negocios/dino/diante-da-crise-estruturacao-logistica-se-torna-vantagem-competitiva-shtml/  (fornecido pela empresa Dino em 16/03/17)- Acessado em 31/03/18

  http://www.ilos.com.br/web/logistica-em-situacoes-de-crise-parte-1/  (10/06/2013 Alexandre M. Rodrigues)   - Acessado em 31/03/2018

  https://www.voitto.com.br/blog/artigo/especialista-lean - Acessado em 01/04/18

  http://revistaempresarios.net/site/bombril-economiza-r-15-milhoes-em-um-ano-com-logistica-apos-primarizacao/ - Acesso em 04/04/2018

  http://revistapesquisa.fapesp.br/2017/09/22/a-corrida-da-industria-4-0/ - Acessado em 16/04/18

 NOVAES,  A.  G.  Logística  e  Gerenciamento  da  Cadeia  de Distribuição:

 Estratégia, Operação e Avaliação. Editora Campus, Rio de Janeiro, 2001.

 FILHO, E. R. Logística Empresarial no Brasil. Tópicos Especiais. 2 ed., ver., atual. E ampl. -  Editora IBPEX – Dialógica, Curitiba, 2011.

 

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